domingo, 8 de novembro de 2009

um do piva

Que você conheça o relâmpago
chamado mundo sombrio
Estremecendo na folha do seu
coração
Que você conheça este relógio sem nuvens
chamado morte
dependurado no planeta
como volúpia secreta
Que você conheça manguezais
& realidades não-humanas
que são a essência da Poesia
Que você conheça o sussurro do Sol
Na água ferruginosa dos seus olhos.
Roberto Piva

sábado, 7 de novembro de 2009

big bang egóico


danação do poeta

(a título de introdução)
adélia prado em anunciação ao poeta fala da fome incansável da boca enorme que habita o poeta danação divina presente aos miseráveis que quiseram ver mais do que podiam castigo eterno que leva a um banquete autofágico delirante oroboros vivenciado diariamente desejo de morte clamor de paz voz emudecida pincel bruto nada traduzem e o corpo explode em sangue haraquiri de um samurai vencido pela sua finitude pequenez desejando o incognoscível danação danação danação mísero e bruto ser explode que a morte é o maior gozo

sábado, 31 de outubro de 2009

Sobre "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino

A prosa de Calvino me conquistou por sua beleza, simplicidade e leveza. Seus textos tecem como que uma trama no ar, sutil e efêmera , porém eterna. As palavras escolhidas com maestria, têm a pureza e o brilho de brilhantes, mas não são de matéria concreta, compactas ao contato. Não, sua natureza é quase etérea. Suas descrições são quadros elaborados pelo toque certeiro e exato, sem exageros, sem faltas. Formam imagens que atravessam o plano pictórico e aportam no espírito. É um filosofar existencial através da poesia e da imagem.
Suas Cidades Invisíveis jamais serão reveladas. Seu sentido é captado num instante, para, logo depois, desaparecer. Brilho de estrela cadente, efêmera, bela, cintilante, deixando-nos sedentos de nova visão, de nova leitura. Entretanto, se voltarmos às Cidades, elas já não serão as mesmas, contudo terão do brilho anterior a mesma natureza, noutra revivência. Leituras novas/estrelas cadentes novas que se sucedem e nunca se repetem, preservando o mistérios que envolvem sua origem, sua passagem por nós.
Significados invisíveis na linguagem equilibrada, fruto maduro, no instante exato em que já não é verde e também não é maduro demais. Significado invisível-fruto apanhado no ponto. A linguagem-mãe, árvore frondosa e propiciadora do fruto. Linguagem que é densa de seiva, porém com flores sutis e frutos efêmeros.
As Cidades Invisíveis nos habitam, escondem-se nos meandros de nossa alma. Somos Marco Polo e Kublai Khan ao mesmo tempo: o imperador de nós mesmos, desconhecedor de seu império, e o aventureiro na busca do conhecimento de si. Porém, as imagens não são as mesmas: O imperador, que ouve o relato, vê uma cidade diferente daquela narrada pelo aventureiro. E, ironia, maior: a cidade narrada por Marco Polo também não corresponde à cidade visitada.
As cidades invisíveis que nos habitam continuam cercadas por véus, a fome de Kublai Khan e as viagens de marco Polo continuam eternas. Sísifos de nós mesmos.

s/ pele


é como estar sem pele

uma fruta
um tomate
sem pele
os nervos ao ar livre
e o mundo fica imenso
e vc grávida de tudo

o escuro
sempre o escuro
e seu dom de
me deixar prenhe de mim mesma

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Quando alguém se vai


Meu pai se foi. Em mim, não há enchentes ou correntes revoltosas, mas um imenso deserto. Seca e aridez no meu rosto. Eu, aqui, sentada no meio do nada que é minha alma...

sábado, 10 de outubro de 2009

14 bis

Alma lavada. Show do 14 bis...

E o Cláudio Venturini continua lindo...