domingo, 19 de setembro de 2010

Bradbury faz 90 anos

O livre conhecimento dos livros

LÁ FORA, AS SIRENES tocam com estardalhaço. Dentro, os espectadores se perguntam se o barulho faz parte do evento. Afinal, aguardamos o início de "Fahrenheit 451", um filme sobre bombeiros -não aqueles que apagam fogo, mas os que incendeiam livros.
Mas as sirenes são apenas uma coincidência que marca a entrada de Ray Bradbury, o paladino das bibliotecas agonizantes e autor do livro homônimo no qual François Truffaut baseou seu longa-metragem de 1966.
Bradbury entra na sala e atravessa o corredor ignorando aplausos e flashes, o olhar petrificado por trás dos óculos de lentes grossas, enquanto desliza numa cadeira de rodas até o palco.
O autor de "O Homem Ilustrado" e "As Crônicas Marcianas" era o convidado da noite, na sede do Sindicato dos Roteiristas, em Los Angeles, no mês passado.
O escritor completou 90 anos em 22 de agosto e a prefeitura resolveu homenageá-lo criando oficialmente a Semana Ray Bradbury, com uma programação de eventos, peças de teatro e tardes de autógrafos.
Para falar com o público antes da exibição de "Fahrenheit 451", Bradbury precisou que segurassem o microfone para ele. Na cadeira de rodas desde que sofreu um infarto, há mais de dez anos, o autor é uma figura frágil, mas não lhe faltam palavras afiadas e bom humor.
"Mel Gibson está muito ocupado com sua garota russa", disse Bradbury, referindo-se às polêmicas do ator com sua ex-mulher. Há mais de uma década, Gibson comprou os direitos de produzir o remake de "Fahrenheit 451". O contrato vence em 2011 e não há sinais de que o filme saia até lá.
Bradbury segue escrevendo vigorosamente. "Acordo todo dia e explodo", conta, e dá risada: "Vomito pela manhã e limpo pela tarde". Ele diz que, de sua casa em L.A., costuma ditar histórias pelo telefone para a filha, que mora no Arizona. Até o final do ano, lança o livro de contos "Juggernaut".
Durante o evento, o escritor reafirma sua paixão pelas bibliotecas. Foi numa sala de estudos de uma delas, a Powell Library da Universidade da Califórnia, que escreveu "Fahrenheit 451", há quase 60 anos, com uma máquina de escrever alugada na biblioteca.
O autor lembra que, sem dinheiro para fazer faculdade na época da Grande Depressão, impôs-se a disciplina de frequentar bibliotecas pelo menos três vezes por semana, durante dez anos.
Nos últimos anos, Bradbury visitou cerca de 200 bibliotecas californianas, em campanhas de arrecadação para evitar o fechamento de muitas delas, ameaçadas pelos drásticos cortes orçamentários do Estado.
"Bibliotecas são mais importantes do que universidades. Bibliotecas são livres. E o conhecimento deve ser livre."
Hoje (19/9), o autor dará autógrafos numa convenção de HQs em L.A. Mais de 20 obras suas foram transpostas para o universo dos quadrinhos na última década.

FERNANDA EZABELLA , Folha de São Paulo, 19.09.2010

domingo, 5 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

não por acaso - a canção do filme

Só Deixo Meu Coração na Mão de Quem Pode
Katia B

Só deixo meu coração
Na mão de quem pode
Fazer da minha alma
Suporte
Pr’uma vida
Insinuante
Insinuante
Anti-tudo que não
Possa ser
Bossa-nova hardcore
Bossa-nova nota dez

Quero dizer
Eu tô pra tudo nesse mundo
Então só vou
Deixar meu coração
A alma do meu corpo
Na mão de quem
Pode
Na mão de quem
Pode
E absorve
Todo céu
Qualquer inferno
Inspiração
De mutação
Da vagabunda intenção
De se jogar
Na dança absoluta
Da matança
Do que é tédio
Conformismo
Aceitação
Do fico aqui
Vou te levando

Nessa dança
Submundo pode tudo
Do amor
Porque não quero teu ciúme que é o cúmulo
Ciúme é acúmulo de dúvida, incerteza
De si mesmo
Projetado
Assim jogado
Como lama anti-erótica
Na cara do desejo mais
Intenso de ficar com a pessoa

E eu não tô à toa
Eu sou muito boa
Eu sou muito boa pra vida
Eu sou a vida
Oferecida
Como dança e não
Quero te dar gelo
Jealous guy

Vê se aprende
Se desprende
Vem pra mim
Que sou esfinge do amor
Te sussurrando
Decifra-me

Só deixo minha alma
Só deixo o coração
Só deixo minha alma
Na mão de quem pode

Só deixo minha alma
Só deixo meu coração
Na mão de quem ama solto

Eu vou dizendo
Que só deixo minha alma
Só deixo meu coracão
Na mão de quem pode
Fazer dele erótico suporte
Pra tudo que é ótimo fator vital

Uma do Roberto Carlos porque "todos estão surdos"

....A covardia é surda e só ouve o que lhe convém...

sábado, 28 de agosto de 2010

o sábado na voz do vinícius

http://www.youtube.com/watch?v=jpfymRLaPaA

o sábado do vinícius

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado