terça-feira, 16 de novembro de 2010

O museu Casa de Guimarães Rosa

A venda q foi do pai dele:


 
"Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."


"Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era - ficar sendo!"


"Todo abismo é navegável a barquinhos de papel"

O museu Casa de Guimarães Rosa

A casa onde ele morou quando pequeno:



"Viver é um descuido prosseguido.
Mas quem é que sabe como?
Viver...
o senhor já sabe: viver é etcétera..."


"Sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o lugar. Viver é muito perigoso..."



"Tudo o que muda a vida vem quieto no escuro, sem preparos de avisar."


"Para onde nos atrai o azul?"

cenas de cordisburgo

Casas:




cenas de cordisburgo

A antiga estação de trem e a banda:

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

visitando guimarães rosa

Nesse feriado, vou realizar um sonho de muito tempo: vou conhecer a terra de Guimarães Rosa. Estou de partida pra Cordisburgo. Espero encontrar por lá algumas das veredas que ele plantou aqui dentro.

sábado, 6 de novembro de 2010

a poem for a lonely saturday



I Wandered Lonely As A Cloud

I wandered lonely as a cloud
That floats on high o'er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.

Continuous as the stars that shine
And twinkle on the milky way,
They stretched in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.

The waves beside them danced, but they
Out-did the sparkling leaves in glee;
A poet could not be but gay,
In such a jocund company!
I gazed—and gazed—but little thought
What wealth the show to me had brought:

For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Orides Fontela

Hoje, lendo o Rascunho, reecontrei a obra de Orides Fontela (1940 — 1998) , mais uma poetisa brasileira que não recebeu as benesses do 'boom' literário nacional. Afinal nunca se produziu tanta literatura no Brasil, mas ainda se registram casos de poetas q morrem na miséria, em sanatórios ou esquecidos pelas esquinas da cidade. O texto de Fernando Monteiro ("E para que ser poeta em tempos de penúria?"), no Rascunho de outubro 2010, é um grito de denúncia contra o mundo acadêmico e o mundo editorial, aquele com seus bisturis e sua assepsia e este que, em função de sua ânsia econômica,  prefere os autores facilmente digeríveis aos herméticos ou cabralinos. Foi o q fizemos com Orides e com Piva.
Fernanda Meireles
"Orides de Lourdes Teixeira Fontela nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 21 de abril de 1940. Começou a escrever poemas aos sete anos de idade. Como ela mesma dizia, sua família "não tinha base cultural, meu pai era operário analfabeto, de modo que a cultura que peguei foi na base do ginásio, escola normal e leitura". Aos 27 anos, deixou sua cidade natal e veio morar em São Paulo, com dois sonhos na cabeça: entrar na USP e publicar um livro. Cumpriu os dois: fez Filosofia e publicou seu primeiro livro, Transposição , com a ajuda do professor Davi Arrigucci Jr., seu conterrâneo. Depois de formada, foi professora do primário e bibliotecária em escolas da rede estadual de ensino. Publicou ainda Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986), Trevo 1969-1988 (1988) e Teia (1996). Com Alba , recebeu o prêmio Jabuti de Poesia, em 1983; e com Teia , recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1996. Sempre com dificuldades financeiras, no final da vida, acabou sendo despejada de seu apartamento no centro da cidade e foi viver com sua amiga Gerda na Casa do Estudante, um velho prédio na Avenida São João. Era uma pessoa irritadiça e muitas vezes se meteu em encrencas, brigando com seus melhores amigos. Morreu em Campos de Jordão, aos 58 anos, no dia 4 de novembro de 1998, de insuficiência cardiopulmonar, na Fundação Sanatório São Paulo. (In: http://www.revista.agulha.nom.br/of.html#bio)"



Alguns poemas de Orides:
 
AXIOMA

Sempre é melhor
saber
que não saber.

Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer

Sempre é melhor
desfazer
que tecer

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vemos por espelho
e enigma

(mas haverá outra forma
de ver?)

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DESAFIO

Contra as flores que vivo
contra os limites
contra a aparência a atenção pura
constrói um campo sem mais jardim
que a essência.

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AURORA III

Instaura-se a forma
num só ato

a luz da forma é um único
ápice
o fruto é uma única forma
instaurada plenamente

(o amor é unicamente
quando in-forma)

... mas custa o Sol a atravessar o deserto
mas custa a amadurecer a luz
mas custa o sangue a pressentir o horizonte