sábado, 20 de novembro de 2010

Inverno

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial

Há algo que jamais se esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
         
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
 Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes de o ocidente se assombrar
                        Ad. Calcanhoto e Antônio Cícero

A Voz de Deus

Brilha uma voz na noute...
De dentro de Fora ouvi-a...
Ó Universo, eu sou-te...
Oh, o horror da alegria
Deste pavor, do archote
Se apagar, que me guia!

Cinzas de ideia e de nome
Em mim, e a voz: Ó mundo,
Sermente em ti eu sou-me...
Mero eco de mim, me inundo
De ondas de negro lume
Em que pra Deus me afundo.

Perseidas

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

trecho do Primeiro Fausto de F Pessoa

"Essa simplicidade d´alma
Possuída não só dos inocentes
mas até dos viciosos, criminosos...
...................................................
...................essa simplicidade
Perdi-a, e só me resta um vácuo imenso
Que o pensamento friamente ocupa."

                 .................  
Eu e minha paixão por Fernando Pessoa... Mas como não se apaixonar por alguém que rasga sua alma sem a menor compaixão?  Como não se apaixonar por quem deixa seu espírito nu e completamente entregue? Só ele dobra minha espinha.  Por F Pessoa eu faria qqr coisa q ele ordenasse, qualquer servidão extrema e voluntária, porque o escravo é aquele que melhor conhece o dono... quem se sujeita à face negra, beija a face luminosa... o que stá abaixo é como o que stá ao alto... maktub... quem tiver  de compreender q compreenda!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010