terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O meu rio

      Hoje fui a Valença (RJ) levar pra minha tia um documento do inventário do meu pai que corre no fórum de lá. Pegar a estrada pra lá é sempre uma oportunidade de rever o Rio Preto. E ele estava no auge da sua força por conta das últimas chuvas. As ilhas bastante tomadas, as águas revoltas por causa das pedras do leito, a água barrenta. Pra quem mora por perto pode ser comum ou perigoso, pra mim, me dá uma paz... Fiquei imaginando um monte de aquarelas como aquelas gravuras produzidas pelos japoneses... A sua presença me traz silêncio também, silêncio e respeito por tanta força de vida. As águas são sempre sábias.

domingo, 12 de dezembro de 2010

outro do van gogh

Van Gogh e sua luta por capturar a luz, deixá-la ali no quadro, presa, a nos encantar e hipnotizar, como fez com ele e pela qual pagou com a vida. A luz mata. Dos três inimigos poderosos do homem que busca, segundo Don Juan de Carlos Castañeda, ela é o segundo mais poderoso. Pra mim é o principal. Perigo meu é  morrer como mariposa. O que seria uma boa morte, pelo menos justificável.

Poema em Linha Reta com Osmar Prado

http://www.youtube.com/watch?v=uElwCENBDJQ

sábado, 11 de dezembro de 2010

Eros & Psique - Poema de Fernando Pessoa

http://www.youtube.com/watch?v=p3mBdkx56l4&NR=1&feature=fvwp

Bethânia canta Pessoa e Sophya Breyner

http://www.youtube.com/watch?v=x8jEUxHD7xk&NR=1

+ FPessoa

Meu pensamento é um rio subterrâneo.
Para que terras vai e donde vem?
Não sei... Na noite em que o meu ser o tem
Emerge dele um ruído subitâneo

De origens no Mistério extraviadas
De eu compreendê-las..., misteriosas fontes
Habitando a distância de ermos montes
Onde os momentos são a Deus chegados...

De vez em quando luze em minha mágoa,
Como um farol num mar desconhecido,
Um movimento de correr, perdido
Em mim, um pálido soluço de água...

E eu relembro de tempos mais antigos
Que  a minha consciência da ilusão
Águas divinas percorrendo o chão
De verdores uníssonos e amigos,

E a ideia de uma Pátria anterior
À forma consciente do meu ser
Dói-me no que desejo, e vem bater
Como uma onda de encontro à minha dor.

Escuto-o... Ao longe, no meu vago tacto
Da minha alma, perdido som incerto,
Como um eterno rio indescoberto,
Mias que a ideia de rio certo e abstracto...

E p'ra onde é que ele vai, que se extravia
Do meu ouvi-lo? A que cavernas desce?
Em que frios de Assombro é que arrefece?
De que névoas sorturnas se anuvia?

Não sei... Eu perco-o... E outra vez regressa
A luz e a cor do mundo claro e actual,
E na interior distância do meu Real
Como se a alma acabasse, o rio cessa...

Homenagem ao fiapo de lua q tá lá em cima