terça-feira, 14 de dezembro de 2010
O meu rio
Hoje fui a Valença (RJ) levar pra minha tia um documento do inventário do meu pai que corre no fórum de lá. Pegar a estrada pra lá é sempre uma oportunidade de rever o Rio Preto. E ele estava no auge da sua força por conta das últimas chuvas. As ilhas bastante tomadas, as águas revoltas por causa das pedras do leito, a água barrenta. Pra quem mora por perto pode ser comum ou perigoso, pra mim, me dá uma paz... Fiquei imaginando um monte de aquarelas como aquelas gravuras produzidas pelos japoneses... A sua presença me traz silêncio também, silêncio e respeito por tanta força de vida. As águas são sempre sábias.
domingo, 12 de dezembro de 2010
outro do van gogh
Van Gogh e sua luta por capturar a luz, deixá-la ali no quadro, presa, a nos encantar e hipnotizar, como fez com ele e pela qual pagou com a vida. A luz mata. Dos três inimigos poderosos do homem que busca, segundo Don Juan de Carlos Castañeda, ela é o segundo mais poderoso. Pra mim é o principal. Perigo meu é morrer como mariposa. O que seria uma boa morte, pelo menos justificável.
sábado, 11 de dezembro de 2010
+ FPessoa
Meu pensamento é um rio subterrâneo.
Para que terras vai e donde vem?
Não sei... Na noite em que o meu ser o tem
Emerge dele um ruído subitâneo
De origens no Mistério extraviadas
De eu compreendê-las..., misteriosas fontes
Habitando a distância de ermos montes
Onde os momentos são a Deus chegados...
De vez em quando luze em minha mágoa,
Como um farol num mar desconhecido,
Um movimento de correr, perdido
Em mim, um pálido soluço de água...
E eu relembro de tempos mais antigos
Que a minha consciência da ilusão
Águas divinas percorrendo o chão
De verdores uníssonos e amigos,
E a ideia de uma Pátria anterior
À forma consciente do meu ser
Dói-me no que desejo, e vem bater
Como uma onda de encontro à minha dor.
Escuto-o... Ao longe, no meu vago tacto
Da minha alma, perdido som incerto,
Como um eterno rio indescoberto,
Mias que a ideia de rio certo e abstracto...
E p'ra onde é que ele vai, que se extravia
Do meu ouvi-lo? A que cavernas desce?
Em que frios de Assombro é que arrefece?
De que névoas sorturnas se anuvia?
Não sei... Eu perco-o... E outra vez regressa
A luz e a cor do mundo claro e actual,
E na interior distância do meu Real
Como se a alma acabasse, o rio cessa...
Para que terras vai e donde vem?
Não sei... Na noite em que o meu ser o tem
Emerge dele um ruído subitâneo
De origens no Mistério extraviadas
De eu compreendê-las..., misteriosas fontes
Habitando a distância de ermos montes
Onde os momentos são a Deus chegados...
De vez em quando luze em minha mágoa,
Como um farol num mar desconhecido,
Um movimento de correr, perdido
Em mim, um pálido soluço de água...
E eu relembro de tempos mais antigos
Que a minha consciência da ilusão
Águas divinas percorrendo o chão
De verdores uníssonos e amigos,
E a ideia de uma Pátria anterior
À forma consciente do meu ser
Dói-me no que desejo, e vem bater
Como uma onda de encontro à minha dor.
Escuto-o... Ao longe, no meu vago tacto
Da minha alma, perdido som incerto,
Como um eterno rio indescoberto,
Mias que a ideia de rio certo e abstracto...
E p'ra onde é que ele vai, que se extravia
Do meu ouvi-lo? A que cavernas desce?
Em que frios de Assombro é que arrefece?
De que névoas sorturnas se anuvia?
Não sei... Eu perco-o... E outra vez regressa
A luz e a cor do mundo claro e actual,
E na interior distância do meu Real
Como se a alma acabasse, o rio cessa...
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