sexta-feira, 28 de junho de 2013

filha de hermes

beijando o fio do abismo
a altura é meu 
fio condutor

o espaço é minha régua
luz em manifestação

infinito
infinitude
minha natureza
sem tempo
sem espaço
filha de hermes
asas nos pés

eu vou
eu vou
sem lenço
sem documento
o sol na cara
o sol no peito

agora"eu estou"
no presente eterno "eu sou"

         Fernanda Meireles, 28/06/2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

meditação teosófica

Pergunta pra Blavatsky

Para ser um
poeta ocidental zen
é preciso
queimar muita lenha.

Um forno noborigama:
vc é o forno,
a lenha
e, tb, a peça de cerâmica.

Quem moldou
a peça de cerâmica?
Sei lá...
Pergunta pra Blavatsky.

 

     Sob as bênçãos de Kerouac, um broto emerge na haste nua da manhã fria.
                                                                                               JF, 30.05.2013

quarta-feira, 29 de maio de 2013

I'm beat

               Vinho, blues e o diário de Kerouac. Minha alma beat, jeans e all star velho, canta em amplidão. Asas na estrada.
    Deixo o link de um doc sobre a beat generation. Fui.
http://www.youtube.com/watch?v=Ik-4B2_QdsU

sábado, 27 de abril de 2013

outono

          É outono, um frio devagar e claro de lua faz a noite recoberta de infinito silêncio. E de repente sinto despontando tímida e discreta a vontade de escrever. Vontade sumida, vontade em silêncio, pela qual, volta e meia me pergunto, mas não me cobro. Ela é o q há de mais livre em mim porque deve ser o mais verdadeiro, o mais  íntegro e o mais belo.
        E de repente no meio da tarde, ela me deu um alô assim um pouco distante, a meia voz, mas já se fazendo notar.
        Com ela, como sempre, vem um monte de outras coisas, vozes e imagens a exigir uma alquimia q pode me custar caro. Não importa, desde muito cedo eu paguei todos os preços, empenhando até o que me era mais caro.
      Eu vim aqui para o teste da vida, para a prova-dos-nove, para, no final, pagar o último preço: eu mesma. Não me importo: eu sou nada, eu sou absolutamente, nada, livre de qqr forma. Estrela explodindo na cara do universo. No fim, só a rosa solar, dourada, em pura luz.
     Eu, uma quimera de um deus-menino numa tarde de outono brincando com bolinhas de gude, atirando pedrinhas ao longe, só pelo prazer de atirar. A plenitude da minha alma é ser a gargalhada desse deus-menino no meio da tarde, no meio do nada, dentro de mim.


sábado, 2 de março de 2013

I celebrate Walt Whitman

today
with all my forces
I celebrate Walt Whitman
A celebration
A song of myself

 

Para ver: https://www.youtube.com/watch?v=uOo4kqkhYag

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Um exército pela estrada

            Apenas vamos pela estrada eu e esse exército de outros eus q sou eu em forma plural. Todos soldados comigo à frente, muitos maltrapilhos, outros feridos, outros envaidecidos por glórias conquistadas, outros vis por saques surdinamente empreendidos. Vamos pela estrada como que voltando de uma guerra, a guerra de ser. Uma guerra cotidiana, sob sol, chuva, calor ou frio.
            Uma guerra sem propósito algum, mas uma guerra q precisa ser feita até que ela mesma se consuma e, ao final, se deposite nas mãos do não-ser a espada cansada empunhada por um braço mutilado.

Fernanda Meireles,        12.02.2013